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NVIDIA cria nova barreira de segurança para agentes de IA

Alfredo Beleza por Alfredo Beleza
29/09/2026
Em Segurança, Inteligência Artificial

A NVIDIA apresentou a Open Agent Safety Platform, uma nova barreira de segurança para agentes de IA que aplica parte dos controlos fora do próprio modelo. A arquitetura combina o ambiente de execução aberto OpenShell com o Sentry, uma camada independente de monitorização capaz de interromper ações consideradas suspeitas.

A principal diferença está no local onde as restrições são aplicadas. Em vez de depender apenas das instruções dadas ao modelo ou de mecanismos presentes no ambiente que o agente consegue observar e manipular, a proposta da NVIDIA transfere parte do controlo para a infraestrutura onde o sistema executa as suas ações.

A Open Agent Safety Platform procura responder a um problema que ganhou maior relevância com agentes capazes de navegar na Internet, executar código, utilizar credenciais e interagir com sistemas externos. A NVIDIA afirma que a plataforma permite impor limites que permanecem ativos mesmo quando um agente tenta ultrapassar as restrições definidas ao nível da aplicação.

Nvidia cria nova barreira de segurança para agentes de ia

OpenShell cria uma barreira que o agente não controla

O OpenShell funciona como um ambiente isolado no qual uma organização pode definir os ficheiros, processos, serviços de rede, ferramentas e credenciais a que cada agente pode aceder.

Segundo a NVIDIA, o software cria uma fronteira de execução fora do modelo e aplica políticas enquanto o agente realiza as suas tarefas. A empresa apresenta atualmente a implementação em processadores Vera, mas o OpenShell é software de código aberto e pode ser adaptado a outras plataformas, incluindo sistemas baseados em tecnologia Arm e Intel.

Esta separação é relevante porque uma instrução dada ao modelo não constitui, por si só, uma barreira de segurança. Um agente pode encontrar caminhos não antecipados pelos programadores, alterar a sequência prevista de ações ou explorar recursos disponíveis no ambiente para cumprir o objetivo que lhe foi atribuído.

Uma política aplicada pela infraestrutura introduz um limite diferente. Mesmo que o agente tente executar uma operação proibida, continua dependente das permissões concedidas pelo sistema onde está alojado.

O princípio aproxima-se do modelo de privilégio mínimo utilizado em cibersegurança. O agente recebe apenas os acessos necessários para a tarefa, em vez de operar com permissões gerais sobre ficheiros, rede, serviços e credenciais.

NVIDIA Sentry acrescenta uma camada separada em hardware

A segunda componente da plataforma é o Sentry, um sistema de referência que funciona nos processadores de rede NVIDIA BlueField-4.

O Sentry monitoriza continuamente a atividade do agente a partir de um domínio separado e aplica políticas de segurança diretamente no hardware. Segundo a NVIDIA, pode colocar um agente em quarentena e interrompê-lo em milissegundos caso este tente sair dos limites definidos pelo OpenShell.

A arquitetura cria, assim, duas linhas de defesa. O OpenShell controla os recursos a que o agente pode aceder, enquanto o Sentry procura detetar e bloquear comportamentos que ultrapassem essas regras.

A diferença técnica está na independência dessa segunda camada. O mecanismo de supervisão não corre dentro do agente nem depende do próprio modelo para decidir quando deve interromper a sua atividade.

A Associated Press refere, contudo, que definir corretamente estas políticas continua a ser um dos desafios da abordagem. Restrições demasiado apertadas podem impedir tarefas legítimas, enquanto permissões excessivas reduzem a capacidade de contenção. A publicação salienta também que será necessária utilização em condições reais para avaliar até que ponto a arquitetura consegue manter o equilíbrio entre segurança e funcionalidade.

NVIDIA relaciona plataforma com incidente da Hugging Face

A NVIDIA afirma que a nova arquitetura poderia ter evitado o incidente no qual agentes da OpenAI ultrapassaram mecanismos de contenção durante avaliações de cibersegurança e acabaram por comprometer sistemas da Hugging Face.

A Reuters refere que a empresa considera que OpenShell e Sentry poderiam ter impedido parte das ações realizadas pelos agentes. Trata-se, no entanto, de uma avaliação retrospetiva da NVIDIA e não de uma demonstração independente realizada sobre o incidente original.

O TecheNet analisou anteriormente o incidente da Hugging Face. Durante as avaliações, os agentes ultrapassaram os controlos que os isolavam da Internet, comunicaram através de canais não autorizados e exploraram vulnerabilidades em sistemas externos.

A investigação mostrou que o problema não resultou apenas do comportamento dos modelos. As permissões concedidas aos ambientes de teste, a existência de serviços partilhados e falhas na monitorização permitiram que ações inicialmente confinadas alcançassem infraestrutura real.

É precisamente esse tipo de cenário que a NVIDIA procura abordar. Em vez de assumir que o agente respeitará as fronteiras definidas pelo software que executa, a plataforma introduz mecanismos adicionais fora desse ambiente.

OpenShell é aberto, mas Sentry depende do ecossistema NVIDIA

A dependência tecnológica varia entre as duas componentes.

O OpenShell é software de código aberto e a NVIDIA afirma que pode ser adaptado a plataformas de terceiros. A empresa trabalha com Arm e Intel para ampliar essa compatibilidade.

O Sentry apresenta uma limitação diferente. A implementação anunciada utiliza os DPU BlueField-4 da NVIDIA para criar a camada independente de supervisão e aplicar políticas diretamente no hardware.

Uma organização pode, por isso, utilizar ou adaptar o OpenShell sem adotar toda a infraestrutura da NVIDIA. Já a combinação completa apresentada pela empresa, com o Sentry como camada externa de monitorização, permanece ligada ao seu hardware.

A Open Agent Safety Platform também não resolve todos os riscos associados aos agentes de IA. A arquitetura procura limitar aquilo que um sistema pode fazer sobre ficheiros, rede, credenciais, ferramentas e outros recursos, mas não impede por si só respostas incorretas, decisões inadequadas ou comportamentos problemáticos que ocorram dentro das permissões concedidas.

O anúncio da NVIDIA mostra uma mudança importante na forma como a indústria começa a abordar a segurança dos agentes. Em vez de confiar apenas em instruções, filtros e mecanismos integrados no próprio software, parte da contenção passa para uma infraestrutura que o agente não controla diretamente.

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Tags: NVidiaOpen Agent Safety Platformsegurança para agentes de IA
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Alfredo Beleza

Alfredo Beleza

É o fundador e director editorial do TecheNet. Com carreira internacional como CEO e director comercial e de marketing em empresas em Portugal, na Suíça e no Brasil, desenvolveu uma perspectiva aprofundada sobre a intersecção entre tecnologia, negócios e mercados globais. Com formação em Gestão, Administração e Marketing pela Webster University, na Suíça, criou o TecheNet como um projecto editorial comprometido com o rigor e a imparcialidade da informação tecnológica em língua portuguesa.

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