Conselho de Segurança da ONU aprova resolução de combate ao ebola

Soldado da Missão da ONU na Libéria (UNMIL) se protege com máscara na entrada de escritório das Nações Unidas na capital Monróvia. Foto: ONU; Andrey Tsarkov
Soldado das forças de paz da Missão da ONU na Libéria (UNMIL) se protege com máscara na entrada de escritório das Nações Unidas na capital Monróvia. Foto: ONU; Andrey Tsarkov




O Conselho de Segurança da ONU declarou ontem (18) que o surto de ebola no oeste da África é uma ameaça à paz e à segurança. Na reunião de quinta-feira, a primeira na história do conselho a tratar de uma crise de saúde pública, o Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon anunciou a criação de uma missão internacional de emergência, a UNMEER (Missão das Nações Unidas para a Resposta de Emergência ao Ebola), com os objetivos de “conter o surto, tratar os infectados, garantir serviços essenciais, preservar a estabilidade e prevenir outros surtos”.

Ban Ki-moon enfatizou que a efetividade da missão dependerá do esforço da comunidade internacional, uma vez que as estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam para a necessidade de quase 1 bilhão (mil milhões) de dólares em investimentos nos próximos seis meses para manter as infecções pelo ebola “dentro das dezenas de milhares”.

Após o discurso do Secretário-Geral, o Conselho de Segurança aprovou uma resolução, apoiada por 131 países (o maior suporte já registrado por uma resolução da entidade), segundo a qual “a extensão sem precedentes do surto de ebola na África constitui uma ameaça à paz e segurança internacionais”. O mesmo conselho pediu que os países vizinhos aos mais afetados pelo ebola — Libéria, Serra Leoa e Guiné — facilitem a entrada nestes de suprimentos e pessoal qualificado por suas fronteiras.

Para a Dra. Margaret Chan, Diretora-Geral da OMS, os relatos de que mais de 5.500 pessoas tenham sido infectadas e mais de 2.500 mortas pelo vírus ebola subestimam a gravidade do problema. Ela considera que a magnitude da emergência e o grau de sofrimento infligidos pela proliferação do ebola no oeste africano jamais tenham sido vistos antes, mesmo por profissionais experientes na contenção de graves doenças.

O Dr. David Nabarro, Coordenador Sênior das Nações Unidas para o ebola, celebrou a solidariedade demonstrada pelos Estados Membros na última reunião, mas ressaltou que o desafio é fazer com que o apoio material e humano recebido seja coordenado de um modo eficiente “que permita que todos trabalhem na região com segurança e não sejam infectados eles próprios com o vírus”.

Já o médico assistente Jackson Niamah, que trabalha em um centro de tratamento de pacientes do ebola na Libéria mantido pela organização Médicos Sem Fronteiras, acredita que a população carece de itens básicos de higiene, como água e sabão. “Mesmo essas coisas simples podem ajudar a frear a proliferação do vírus”, disse por videoconferência na reunião de ontem.

“Não temos a capacidade de responder à crise por conta própria”, afirmou Niamah. “Nós precisamos de ajuda. Precisamos agora”, completou.

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é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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