O mercado dos dobráveis acaba de sofrer um abano inesperado que deixa os entusiastas do formato “concha” um pouco mais órfãos. Se estavas à espera de ver o próximo pequeno grande trunfo da gigante chinesa chegar às prateleiras, podes tirar o cavalinho da chuva. A Xiaomi decidiu puxar o travão de mão e, segundo as informações mais recentes que circulam nos bastidores da indústria, o desenvolvimento da linha MIX Flip foi sumariamente interrompido. Esta decisão marca um ponto de viragem drástico na estratégia da marca, que parecia estar finalmente a encontrar o seu ritmo neste segmento específico.
O que parecia ser uma evolução natural de uma linha jovem — a Xiaomi só entrou neste jogo há cerca de dois anos — acabou por bater numa parede de realidade comercial. O MIX Flip 3, conhecido internamente pelo nome de código “pixiu”, estava já numa fase avançada de desenvolvimento. Os rumores apontavam para um dispositivo equipado com a próxima geração de processadores Snapdragon, prometendo uma performance de topo num corpo ultra-compacto. No entanto, o reputado leaker Digital Chat Station, cujas fontes raramente falham, confirmou que a série foi cancelada.

Esta interrupção abrupta não é apenas um rumor de corredor; há dados concretos de rastreio de firmware, partilhados pela XimiTime, que mostram que o suporte de software para este modelo foi colocado na prateleira. É um golpe duro para quem viu no primeiro MIX Flip uma lufada de ar fresco, especialmente quando o modelo original chegou a ter um lançamento global que nos permitiu, por cá, deitar as mãos à tecnologia de dobradiças da Xiaomi.
Vendas abaixo do esperado e o foco na produtividade
Para percebermos o porquê desta desistência, temos de olhar para os números. O MIX Flip 2, lançado em junho de 2025, nunca chegou a sair das fronteiras da China. Ao que tudo indica, as vendas ficaram aquém das projeções da marca, não conseguindo fazer frente ao domínio da Samsung ou à renovada aposta da Motorola com a linha Razr. Parece que a Xiaomi percebeu que, no formato “clamshell”, a competição é feroz e as margens de lucro são espremidas pela necessidade de design sobre a funcionalidade pura.
Em vez de continuar a insistir num formato que não está a dar o retorno desejado, a estratégia agora passa por canalizar todos os recursos para os dobráveis de grande formato. Aqui estão os pontos principais desta mudança de rumo:
- Cancelamento total do MIX Flip 3 e suspensão da linha “concha”.
- Abandono do projeto MIX Fold 5 (na sua conceção original) para dar lugar a algo novo.
- Foco absoluto no desenvolvimento do projeto “lhasa”, um dobrável de ecrã generoso.
- Aposta em componentes de fabrico próprio para reduzir a dependência externa.
O surgimento do projeto lhasa e o novo processador XRING
A Xiaomi não está a abandonar os dobráveis por completo, bem pelo contrário. Está apenas a mudar o campo de batalha. O novo foco é um dispositivo de grandes dimensões, que poderá chegar ao mercado com o nome de Xiaomi 18 Fold. O grande destaque deste futuro porta-estandarte será a introdução do processador próprio da marca, o XRING O3.
Esta movimentação é audaz. Ao trocar os processadores da Qualcomm por uma solução desenvolvida internamente num dispositivo tão complexo como um dobrável, a Xiaomi está a tentar seguir os passos da Apple e da Google, procurando uma integração vertical que lhe permita otimizar o consumo de bateria e a gestão térmica — dois dos maiores calcanhares de Aquiles dos telefones que dobram. Se este plano correr bem, poderemos ver este novo dispositivo a surgir na segunda metade de 2026, prometendo transformar o smartphone num verdadeiro centro de produtividade que cabe no bolso.

Menos concorrência significa menos escolha para ti
Para nós, consumidores, esta notícia é um pau de dois bicos. Por um lado, é entusiasmante ver a Xiaomi a investir seriamente num processador próprio e num dobrável de grande formato que promete ser um monstro de performance. Por outro lado, a saída de um jogador deste peso do segmento dos telemóveis “flip” é uma má notícia para o teu bolso. Com menos concorrência direta para a Samsung e para a Motorola, a pressão para baixar preços ou para inovar de forma agressiva no design compacto diminui consideravelmente.
Resta-nos agora aguardar para ver se este “até já” da Xiaomi aos Flip é definitivo ou se, daqui a uns anos, quando a tecnologia de ecrãs e baterias permitir designs ainda mais arrojados, a marca decide voltar a abrir e fechar a tampa. Por agora, o foco é o tamanho e o poder de processamento bruto.
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