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Rios de hidrogênio podem alimentar a formação de estrelas

Luiz Guilherme Trevisan Gomes por Luiz Guilherme Trevisan Gomes
24/02/2014
Em Ciência, Espaço




Um novo estudo afirma que os “rios” de gás hidrogênio podem ser responsáveis pela manutenção da capacidade de produção de estrelas das galáxias espirais. As conclusões da pesquisa podem reforçar uma das teorias que buscam explicar de onde vem o combustível que alimenta a formação de novas estrelas.

Cientistas observaram um filamento de gás fluindo em direção à galáxia espiral NGC 6946, também conhecida como a “galáxia dos fogos de artifício” graças ao grande número de supernovas ocorridas nela (no último século, foram nove), e localizada a 22 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Cepheus. A descoberta do rio de hidrogênio foi possível através do uso do Telescópio Green Bank (GBT), localizado no estado da Virgínia Ocidental, Estados Unidos.

Os pesquisadores envolvidos no estudo sabiam que a fonte de combustível para a formação estelar na galáxia deveria vir de algum lugar, conforme relata D.J. Pisano, principal autor da dissertação, publicada no periódico Astronomical Journal, e membro do Departamento de Física da Universidade da Virgínia Ocidental. Ele acrescenta que, por enquanto, “nós detectamos apenas cerca de 10 por cento do que seria necessário para explicar aquilo que observamos em muitas galáxias”.

Estudos anteriores já haviam demonstrado a existência de uma auréola (ou halo, se preferir) de hidrogênio gasoso ao redor da NGC 6946, característica comum às galáxias espirais que é formada pelo hidrogênio ejetado destas pela formação de estrelas e por eventos de supernovas, interações que aquecem o gás da auréola a temperaturas extremamente elevadas. (O halo aparece em vermelho na imagem em destaque acima.) No entanto, quando direcionou o GBT — que é, aliás, o maior radiotelescópio totalmente manobrável do planeta — à galáxia, Pisano observou uma coluna de gás fria demais para ter sofrido o processo de aquecimento supracitado, pelo qual passa o gás da auréola.

Fluxos frios

Ngc 6946
 

foram observadas nove supernovas na galáxia ngc 6946 no último século. Imagens do observatório chandra (em roxo) revelaram três das mais antigas supernovas detectadas por raios-x. Observações ópticas do observatório gemini (em vermelho, amarelo e turquesa) também compõem a imagem. Crédito: raios-x: nasa/cxc/mssl/r. Soria et al. Ópticas: aura/gemini

 

 

Sabe-se que, em média, a Via Láctea produz um número anual de estrelas que varia entre 1 e 5. Por ser rica em gás, a NGC 6946 é ainda mais ativa. Porém, as galáxias starburst superam as demais nesse quesito, pois, apesar de deverem ter consumido todo o gás com o qual nasceram e desenvolveram o procedimento de formação estelar, o que levaria esta formação a uma parada brusca, as starburst continuam a produção em massa. Isto sugere que algo ainda lhes forneça gás suficiente para a continuidade do nascimento de estrelas.

Segundo Pisano, a teoria prevalecente — a dos fluxos frios — sugere que os rios de hidrogênio possam transportar o elemento em meio ao espaço intergaláctico, “alimentando clandestinamente a formação estelar”. O pesquisador reconhece, entretanto, que estes tênues fluxos de hidrogênio têm sido dispersos, o que tem dificultado sua detecção “até agora”.

O radiotelescópio Green Bank é dotado de localização privilegiada na National Radio Quiet Zone, ambiente onde as transmissões de rádio são limitadas para que não interfiram no funcionamento do Observarório Green Bank e em comunicações via rádio da Marinha dos Estados Unidos. Portanto, o enorme aparato consegue captar os fracos sinais do hidrogênio que estaria presente em um fluxo frio.

Outra hipótese é a de que o hidrogênio detectado tenha sua origem em uma passagem muito próxima de outra galáxia, de forma que as forças gravitacionais em jogo teriam arrancado desta uma coluna de hidrogênio que conteria estrelas de possível identificação por parte dos astrônomos, dizem os pesquisadores, apesar de nenhuma ter sido observada. Agora, os cientistas planejam estudar melhor o influxo de hidrogênio para que sua real função seja estabelecida.

O crédito pela imagem de destaque utilizada neste artigo pertence a D.J. Pisano; B. Saxton; Palomar Observatory e Westerbork Synthesis Radio Telescope.

Fonte: LiveScience

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Tags: astrônomosespaçoestrelasfísicagaláxias
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Luiz Guilherme Trevisan Gomes

Luiz Guilherme Trevisan Gomes

é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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