“Stress” pode diminuir a chance de engravidar

Estressada? Cuidado! Suas chances de engravidar podem diminuir, aponta novo estudo. Crédito: Shutterstock

Estressada? Cuidado! Suas chances de engravidar podem diminuir, aponta novo estudo. Crédito: Shutterstock




O “stress” (estresse) pode diminuir as chances de engravidar, de acordo com estudo publicado no periódico Human Reproduction.

Inicialmente acompanhando as vidas de 501 casais dos Estados Unidos, a pesquisa levou os cientistas à conclusão de que as mulheres com níveis mais elevados da enzima alfa-amilase — um biomarcador do estresse — na saliva demoraram mais a engravidar:

“A principal descoberta do estudo foi a de uma aparente associação entre o estresse na pré-concepção e a probabilidade de ficar grávida”, diz Courtney Lynch, diretora de epidemiologia reprodutiva da Ohio State University College of Medicine e autora do estudo, o primeiro a demonstrar uma conexão entre os níveis de estresse mensurados na saliva e a infertilidade feminina.

Ainda, os achados indicam que os efeitos do estresse parecem surgir cinco meses depois de o casal começar a buscar uma gravidez. Os pesquisadores constataram que a probabilidade de as mulheres engravidarem era praticamente igual no princípio do estudo, não importando a quantidade de α-amilase contida na saliva; porém, 5 meses depois, as mulheres com os teores mais altos da enzima passaram a ter menores chances de engravidar.

Ligação improdutiva

A fim de investigar a potencial influência do estresse sobre a fertilidade feminina, Lynch e seus colegas observaram 501 casais — nenhum dos quais possuindo qualquer histórico de infertilidade — que tentavam ter um bebê há, no máximo, dois meses. Os níveis de estresse das mulheres (cujas idades variaram entre 18-40 anos) foram medidos a partir da alfa-amilase e do cortisol, outro sinal biológico do estresse presente na saliva, e os homens e mulheres avaliados no estudo mantiveram um diário em que relataram os níveis de estresse aos quais estiveram submetidos no cotidiano.

Duas amostras de saliva foram coletadas durante os 12 meses de pesquisa: a primeira, na manhã seguinte à entrada das mulheres no projeto, antes que comessem, bebessem, fumassem ou escovassem os dentes, fatores que afetam a produção de alfa-amilase (conhecida por atuar na digestão do amido); a segunda, na manhã seguinte ao primeiro período menstrual ocorrido no prazo do estudo.

Dos 401 casais que completaram o projeto, 347 tiveram sucesso nas tentativas de engravidar. No entanto, as “mulheres que tinham os níveis mais elevados de alfa-amilase tiveram mais que o dobro da probabilidade de não engravidarem após 12 meses“, em comparação com as que tinham os menores níveis da enzima na saliva, afirma Lynch. A probabilidade de engravidar foi 29% menor nas mulheres que se enquadraram no primeiro caso (níveis mais altos de α-amilase) relativamente àquelas nas quais foram verificados os menores níveis.

Não foi possível, entretanto, estabelecer uma segunda relação de infertilidade entre o teor de cortisol nas mulheres e as chances de elas engravidarem, o que pode ser explicado pelo fato de o cortisol agir de maneira biologicamente distinta. Lynch ressalta que o cortisol representa melhor níveis crônicos de estresse, de forma que as diferenças nos níveis deste hormônio podem não ter sido observadas, dados os momentos em que as amostras de saliva foram coletadas — nos primeiros meses do estudo.

O modo como o estresse reduz a fertilidade ainda não foi totalmente esclarecido. A nova pesquisa , por exemplo, não encontrou evidências que dessem suporte à ideia de que os casais que têm enfrentado dificuldades para conceber uma criança sintam-se mais estressados e, portanto, mantenham relações sexuais menos frequentemente.

Para Lynch, o trabalho “indica que, se um casal não engravidou depois de cinco a seis meses de tentativas, isto pode estar relacionado ao estresse”. Ela acrescenta que algumas atividades de relaxamento podem ser úteis às mulheres que querem engravidar, tais como a meditação e exercícios físicos e de respiração.

A cientista deixa claro que os níveis elevados de estresse não são o único, tampouco o mais relevante fator a ser considerado na avaliação da capacidade de engravidar: “Não temos evidências concretas de que as técnicas de controle do estresse sejam úteis”, diz, mas não custa tentar.

Fonte: LiveScience

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é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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