Astrônomos encontram berçário estelar nos confins da galáxia

A Corrente Magalhânica (colorida artificialmente de rosa na imagem acima) origina-se nas Nuvens de Magalhães (manchas brancas na porção inferior direita) e se choca com a Via Láctea (faixa azulada horizontal). Crédito: Nidever, et al., NRAO/AUI/NSF e Mellinger, LAB Survey, Parkes Obs., Westerbork Obs., Arecibo Obs..

A Corrente Magalhânica (colorida artificialmente de rosa na imagem acima) origina-se nas Nuvens de Magalhães (manchas brancas na porção inferior direita) e se choca com a Via Láctea (faixa azulada horizontal). Crédito: Nidever, et al., NRAO/AUI/NSF e Mellinger, LAB Survey, Parkes Obs., Westerbork Obs., Arecibo Obs.

 

 

 




Conforme orbitam a Via Láctea, as Nuvens de Magalhães, duas galáxias anãs que fazem parte do Grupo Local, deixam uma enorme corrente de gás fluir na direção da nossa galáxia, processo que tem servido de berçário para novas estrelas, relatam os astrônomos que, pela primeira vez, detectaram estrelas na região ocupada pela gigantesca nuvem de gás quente.

As estrelas recém-descobertas são jovens, indicando que nasceram recentemente, no momento em que a nuvem de gás magalhânica colidiu com o halo gasoso que recobre a Via Láctea. A junção de gases capaz de criar tais estrelas é apontada com um dos fatores que influenciaram, há muito tempo, a constituição de galáxias gigantes — inclusive aquela em que vivemos —, quando galáxias menores, ricas em gás, se fundiram.

As duas galáxias satélites estão muito próximas de si e de nós: a Grande Nuvem de Magalhães se localiza a 160 mil anos-luz da Terra, ao passo que a Pequena Nuvem dista 200 mil anos-luz; entre ambas, a distância chega a 75 mil anos-luz. Isso faz da interação entre essas galáxias e a Via Láctea “a única (…) que podemos modelar” com alto nível de detalhamento, diz Dana Casetti-Dinescu, astrônoma da Southern Connecticut State University e autora líder da pesquisa sobre as novas estrelas, publicada no Astrophysical Journal. A autora ressalta que a mesma riqueza de informações não nos é fornecida pelas observações de outras colisões de nuvens de gás entre galáxias, dada a enorme distância entre os sistemas galácticos.

Berçário magalhânico

A descoberta da Corrente Magalhânica remonta à década de 1970, quando astrônomos identificaram sinais de rádio de uma larga faixa composta, principalmente, por átomos neutros de hidrogênio no rastro das duas galáxias anãs.

Estima-se que a nuvem de gás se estenda por mais de meio milhão de anos-luz. Os pesquisadores acreditam que, assim como a força gravitacional da Lua eleva o nível dos mares da Terra, a gravidade exercida pela Grande Nuvem de Magalhães tenha arrancado a maior parte desse gás da Pequena Nuvem de Magalhães, cujo poder de atração sobre seus objetos é relativamente menor. A interação entre essas galáxias ainda teria feito com que a nuvem de gás e algumas estrelas nela contidas permeassem o ambiente entre elas. Entretanto, apesar de haver estrelas e gás entre as Nuvens de Magalhães, nenhuma estrela havia sido observada no corpo da Corrente Magalhânica.

Casetti-Dinescu e seus colegas mudaram nossa compreensão a respeito da Corrente, tendo encontrado seis estrelas em parte desta, na periferia da Via Láctea. A cientista propõe que elas tenha se formado “in situ“, ou seja, na própria corrente gasosa: “[e]las têm de ser [formadas], porque são muito jovens — não tiveram tempo suficiente para viajar das Nuvens até sua atual localização durante sua existência”.

De fato, o estoque de gás hidrogênio no halo da Via Láctea (região semiesférica que se estende além do disco galáctico, plano no qual se localizam os braços espirais da galáxia) permite inferir que as estrelas recém-nascidas tenham se originado ali. Ademais, a velocidade dessas estrelas equivale à velocidade de difusão da Corrente Magalhânica, sugerindo que suas fornalhas tenham sido acesas quando o gás da corrente se chocou com o disco de gás da Via Láctea, fenômeno que comprimiu o gás da região através da elevação da densidade de matéria, critério necessário à formação estelar.

Fonte: Scientific American

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é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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