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Resistência a antibióticos já é uma ameaça global, segundo a OMS

Luiz Guilherme Trevisan Gomes por Luiz Guilherme Trevisan Gomes
01/05/2014
Em Ciência

Medicamentos antibióticos, bactérias, doenças, medicina, saúde

Um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o risco de que a resistência de bactérias relativamente comuns aos antibióticos imponha sérios riscos à saúde de pessoas do mundo todo.

A resistência a antibióticos ocorre quando uma bactéria sofre mutações e desenvolve características que a tornam imune à ação de medicamentos amplamente utilizados pela medicina no tratamento das doenças infecciosas, o que, na prática, faz com que medicamentos cada vez mais agressivos sejam empregados no combate à mesma bactéria ou impede completamente o tratamento.

O Dr. Keiji Fukuda, Diretor-Geral Assistente de Segurança da Saúde da OMS, afirmou, em um comunicado de imprensa, que “o mundo caminha para uma era pós-antibiótica, na qual infecções comuns e ferimentos leves, que têm sido tratáveis há décadas, poderão matar novamente“.

Resistência disseminada

O relatório “Antimicrobial resistance: global report on surveillance” (“Resistência antimicrobiana: relatório global sobre a vigilância”) evidencia que a resistência aos antibióticos se dá de maneira generalizada entre as bactérias, mas atinge, em especial, sete micro-organismos responsáveis por doenças graves e comuns, tais como gonorreia, diarreia, pneumonia, infecções sanguíneas (toxemias) e do trato urinário (rins, bexiga, ureter e uretra).

Em alguns dos 114 países abrangidos pela pesquisa (outros países não levantaram dados suficientes para o estudo), por exemplo, o agente infeccioso Klebsiella pneumoniae, uma das principais causas de infecções hospitalares — e que leva à toxemia e e à pneumonia —, resiste até mesmo às drogas de última instância, aquelas usadas quando os medicamentos comuns deixam de surtir efeito no tratamento, em mais da metade dos pacientes contaminados.

Determinados medicamentos de última instância, como os da classe das fluoroquinolonas, introduzidos na década de 1980, já foram largamente “decifrados” pelas bactérias. Os resultados da pesquisa indicam que, em alguns países, mais da metade dos pacientes não seja curada com o auxílio dessa classe de drogas. No tocante à gonorreia, doença sexualmente transmissível que, segundo o relatório, contamina “mais de 1 milhão de pessoas” por dia, estima-se que o tratamento de último recurso já falhou em dez países, quais sejam: África do Sul, Áustria, Austrália, Canadá, Eslovênia, França, Japão, Noruega, Reino Unido e Suécia.

Conclui-se que o tempo de internação hospitalar dos pacientes tratados ineficientemente, a gravidade das doenças e a taxa de mortes decorrentes das infecções tendem a subir.

Vigiar e atacar

O combate à resistência a antibióticos é missão dos órgãos governamentais, profissionais da saúde e pacientes. Incluem-se, na lista de atitudes que as sociedades podem tomar para evitar o surgimento das resistências, a necessidade de que pesquisas e sondagens contínuas acompanhem o desenvolvimento de bactérias imunes aos medicamentos; o fornecimento de adequada infraestrutura de acesso a água e redes de esgotos, com a intenção de prevenir novos contágios; e a vacinação (para reduzir o uso de antibióticos).

Os médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde devem, sobretudo, evitar a contaminação hospitalar seguindo regras de higiene pessoal e hospitalar, e apenas receitar antibióticos — cuja ingestão, pelo paciente, deverá ser perfeitamente adequada à prescrição médica — após meticuloso acompanhamento e precisa identificação da bactéria que causa a doença a ser tratada. Essa última tarefa evita que antibióticos de uso geral deem à luz novas cepas de bactérias resistentes a eles.

No entanto, o mundo precisa de técnicas mais eficazes de diagnóstico, justamente com a finalidade de reduzir a prescrição de medicamentos de uso geral. Portanto, é necessária uma colaboração internacional de pesquisadores, além de investimentos em laboratórios e estudos capazes de gerar inovações que nos elevem a patamares mais seguros de diagnóstico e prescrição médica.

“A menos que tomemos ações significativas para aprimorar os esforços de prevenção de infecções e também mudar o modo como produzimos, prescrevemos e usamos antibióticos”, observa Fukuda, “o mundo perderá mais e mais desses bens globais de saúde pública, e as implicações serão devastadoras”, lembrando que o tratamento eficaz à base de antibióticos é uma das principais razões por trás do aumento da expectativa e qualidade de vida nas últimas décadas.

Se remediar parece cada vez mais difícil, o segredo é prevenir.

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Tags: antibióticosbactériasdoençasmedicinasaúde
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Luiz Guilherme Trevisan Gomes

Luiz Guilherme Trevisan Gomes

é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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