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Ingrediente para a vida: nitrogênio é encontrado no solo de Marte

Luiz Guilherme Trevisan Gomes por Luiz Guilherme Trevisan Gomes
26/03/2015 - Atualizado a 31/03/2015
Em Ciência, Espaço
"selfie" da sonda curiosity na superfície de marte. A imagem é, na realidade, uma composição de dezenas de imagens obtidas pelo jipe-robô em fevereiro de 2013. No quadrante inferior esquerdo, é possível observar dois pequenos buracos escavados pela broca da curiosity para recolher material amostral. Crédito: nasa/jpl-caltech/msss
“selfie” da sonda curiosity na superfície de marte. A imagem é, na realidade, uma composição de dezenas de imagens obtidas pelo jipe-robô em fevereiro de 2013. No quadrante inferior esquerdo, é possível observar dois pequenos buracos escavados pela broca da curiosity para recolher material amostral.
crédito: nasa/jpl-caltech/msss

A vida como a conhecemos tem uma relação muito íntima com o nitrogênio. De fato, esse elemento químico integra o DNA e o RNA de todas as criaturas vivas do planeta, além das proteínas produzidas pelas instruções genéticas contidas na arquitetura dos ácidos nucleicos. Agora, pesquisadores confirmaram a descoberta de nitrogênio no solo de Marte, reforçando a hipótese de que o ambiente do planeta vermelho tenha tido um passado habitável.

Em dissertação recentemente publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, uma equipe de cientistas concluiu, através da análise de amostras coletadas pelo robô Curiosity, da NASA, que existe nitrogênio fixado nas rochas e sedimentos marcianos.

Desde 2012, a sonda Curiosity explora a cratera Gale — cratera com cerca de 150 km de diâmetro que, acredita-se, tenha abrigado um lago há milhões de anos — com um conjunto de instrumentos dedicados a analisar a composição química da atmosfera de Marte e do solo da região. Em três pontos da superfície, a sonda perfurou o solo e recolheu amostras, tendo enviado informações para os cientistas, que reportam a existência de compostos nitrogenados oxidados, principalmente óxido nítrico, no material analisado.

Para os pesquisadores, as estimativas de concentração dos compostos nitrogenados ultrapassam as possivelmente provocadas por fontes diretamente associadas aos próprios instrumentos do Curiosity. No entanto, a formação do óxido nítrico, por sua vez, pode ter ocorrido graças ao aquecimento de nitratos (moléculas biologicamente úteis para os organismos terrestres) do solo pelo aparato de análise química do robô.

“Não há evidências para sugerir que as moléculas de nitrogênio fixadas encontradas pela equipe foram criadas por [formas de] vida”, adverte a NASA em comunicado. Ainda assim, a descoberta deve afetar o modo como enxergamos a probabilidade de que, no passado, Marte tenha sido habitado.

O grupo responsável pelo estudo teoriza que os nitratos marcianos tenham se originado de processos não biológicos, como impactos de meteoritos e descargas elétricas em um passado distante.

Cabe frisar que, a despeito das descobertas de moléculas orgânicas e nitrogenadas, e das evidências que apontam para a presença de água líquida em um período do histórico geológico do planeta, não se acredita que a superfície marciana seja atualmente habitável por qualquer criatura viva que conheçamos.

Cada vez mais, os achados apresentam um planeta que conteve ingredientes que consideramos necessários para a vida, e as investigações na cratera Gale ainda podem render um conhecimento muito maior a respeito do passado marciano e sua capacidade de abrigar seres vivos.

Em sua jornada em Marte, o Curiosity também deve pesquisar o Monte Sharp, montanha de 5 km de altura (localizada no interior da cratera) que teria se formado através da deposição de sedimentos de um antigo lago.

Tags: curiositymartenasanitrogêniovida
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Luiz Guilherme Trevisan Gomes

Luiz Guilherme Trevisan Gomes

é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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