No dia 19 de abril de 2026, o robô “Lightning” da Honor completou uma meia maratona em Pequim em 50 minutos e 26 segundos, num resultado inédito na robótica chinesa que superou o recorde mundial humano na distância.
Robô “Lightning” da Honor na linha da frente
O robô humanoide “Lightning” da Honor cruzou a linha de chegada da segunda meia maratona de robôs humanoides de Pequim com um tempo líquido de 50 minutos e 26 segundos, na categoria de navegação autónoma por inteligência artificial.
O recorde mundial humano na distância pertence ao atleta ugandês Jacob Kiplimo, que registou cerca de 57 minutos em março de 2026, em Lisboa. A diferença de aproximadamente sete minutos foi uma surpresa para grande parte dos especialistas do setor.
A Honor, marca de origem chinesa nascida como derivada da Huawei, ocupou os três primeiros lugares do pódio, todos na categoria autónoma e com tempos abaixo do recorde mundial humano: 50 minutos e 26 segundos no primeiro lugar, cerca de 51 minutos no segundo e cerca de 53 minutos no terceiro. Perto da linha de chegada, o “Lightning” embateu numa grade de proteção lateral, mas foi recolocado em posição e concluiu o percurso. Um robô da Honor controlado por operador remoto cruzou a linha em 48 minutos e 19 segundos, mas a pontuação ponderada da prova atribuiu a vitória à categoria autónoma.
A engenharia do robô humanoide “Lightning”
O robô “Lightning” da Honor foi desenvolvido em menos de um ano. As suas pernas têm entre 90 e 95 centímetros de comprimento, desenhadas para imitar a biomecânica dos corredores humanos de elite. O sistema de arrefecimento é baseado em tecnologia líquida, a mesma presente nos smartphones da Honor, adaptada para gerir o calor gerado durante a corrida.
A prova realizou-se no distrito de Yizhuang, em Pequim, no dia 19 de abril de 2026, e contou com mais de 300 robôs de 26 marcas diferentes, num total de mais de 100 equipas. A organização esteve a cargo do Governo Municipal de Pequim e da televisão estatal CCTV. A CCTV reportou ainda que um robô humanoide desempenhou funções de agente de trânsito durante a prova, a dirigir os participantes com gestos dos braços e comandos de voz.
Meia maratona em Pequim: de 2h40 para menos de 1 hora
A evolução entre a primeira e a segunda edição é notória. Em 2025, apenas 21 robôs competiram e somente seis completaram os 21 quilómetros, com o vencedor Tiangong Ultra a registar um tempo de 2 horas, 40 minutos e 42 segundos. Em 2026, centenas de robôs chegaram ao fim do percurso, com o melhor tempo abaixo de uma hora.
O percurso desta edição foi deliberadamente mais exigente, com curvas adicionais e inclinações mais acentuadas. Cerca de 40% dos robôs participaram na categoria de navegação autónoma, sem qualquer controlo remoto por operador humano. Em simultâneo, 12.000 corredores humanos participaram nos eventos paralelos associados à prova.
A tecnologia que impulsiona o desempenho
O salto na resistência em percurso longo não é o único indicador relevante. A Unitree Robotics registou, a 11 de abril de 2026, uma velocidade de sprint de 10 metros por segundo com o modelo H1, o equivalente a percorrer os 100 metros em 10 segundos. Esta progressão foi o resultado exclusivo de melhorias de software, sem alterações significativas ao hardware original do robô.
Para comparação, a velocidade média de Usain Bolt no seu recorde mundial dos 100 metros corresponde a cerca de 10,44 metros por segundo. O H1 partiu de uma velocidade base de 3,3 m/s em 2024 e triplicou a sua capacidade de movimento em dois anos. Estes dados ilustram a velocidade a que a robótica chinesa se aproxima do desempenho humano de alto nível.
A estratégia industrial da China
O evento insere-se numa estratégia nacional de longo prazo. Em novembro de 2023, o Ministério da Indústria e da Tecnologia da Informação da China publicou orientações com metas concretas para o setor, com o objetivo de alcançar a liderança global na indústria de robôs humanoides até 2027. Pequim criou um fundo de 100 mil milhões de yuan, equivalente a cerca de 14 mil milhões de dólares, para indústrias do futuro, incluindo inteligência artificial e robótica.
Xangai definiu como meta superar os 50 mil milhões de yuan em receitas do setor de IA incorporada até 2027. A robótica humanoide consta, pela primeira vez, do relatório de trabalho do governo central chinês em 2025, o que reflete a prioridade política atribuída ao setor. Fora do contexto desportivo, as aplicações previstas abrangem logística, saúde e resposta a emergências e catástrofes.
Outros artigos interessantes:









