A Apple confirmou a existência de um problema no ecrã interior do iPhone Duo, depois de vários utilizadores terem comunicado o aparecimento de fissuras e linhas luminosas junto à zona de dobragem. A empresa afirma que a situação afeta um número reduzido de equipamentos e recomenda aos clientes que contactem o serviço AppleCare para solicitar a substituição.

O reconhecimento surge apenas três dias depois do início da comercialização do primeiro iPhone dobrável, a 23 de outubro de 2026. Os relatos descrevem danos que surgem durante a abertura ou o fecho do equipamento, em alguns casos poucas horas após a compra. A Apple ainda não identificou a causa nem revelou quantas unidades poderão estar afetadas.
Apple confirma falhas, mas não esclarece a origem
Numa declaração enviada ao 9to5Mac, a Apple reconheceu que tem conhecimento de um problema que afeta o ecrã interior de um número reduzido de unidades do iPhone Duo. A fabricante acrescentou que os utilizadores que detetem anomalias devem contactar o AppleCare para obter um equipamento de substituição.
Os testemunhos recolhidos pela imprensa especializada apresentam características semelhantes. Alguns proprietários descrevem um aumento da resistência da dobradiça, seguido de um estalido e do aparecimento de uma fissura próxima da zona central do ecrã. Noutros casos, surgem linhas luminosas horizontais e verticais que comprometem a utilização do painel.
Segundo o The Verge, a Apple considera que a maioria das unidades não está sujeita ao problema e que as falhas tendem a manifestar-se pouco depois do início da utilização.
Esta posição não permite, contudo, determinar a dimensão real da ocorrência. A empresa não apresentou dados sobre o número de equipamentos afetados, os lotes de produção envolvidos ou a eventual necessidade de alterações ao processo de fabrico.
iFixit identifica possível ponto de pressão na dobradiça
A análise técnica publicada pela iFixit, a 25 de outubro, acrescenta uma hipótese para explicar os danos.
A equipa desmontou o iPhone Duo e analisou a estrutura da dobradiça através de imagens de tomografia computorizada, documentação de patentes e modelos tridimensionais. O objetivo foi identificar os pontos sujeitos a maior esforço mecânico durante o movimento de dobragem.
Os resultados indicam que as fissuras comunicadas pelos utilizadores se concentram numa região próxima da transição entre a passagem do cabo flexível e o suporte central da dobradiça.
Uma das hipóteses apresentadas pela iFixit envolve uma barra de suporte que poderá não recuar o suficiente quando o equipamento é fechado. Se isso acontecer, o ecrã pode entrar em contacto com o componente e ficar sujeito a uma concentração localizada de pressão.
A equipa sublinha, porém, que existem vários componentes nessa região capazes de contribuir para a falha. A análise não demonstra que a barra de suporte seja responsável pelos danos, nem permite concluir que todos os incidentes tenham a mesma origem.
A desmontagem revelou também outros aspetos relevantes da construção do iPhone Duo. O equipamento utiliza uma estrutura articulada com engrenagens, molas e elementos metálicos que controlam a curvatura do ecrã durante a abertura e o fecho. Esta arquitetura já tinha sido abordada pelo TecheNet no artigo sobre as características e a construção do primeiro iPhone dobrável da Apple.
Apesar das dificuldades associadas à substituição do ecrã interior do iPhone Duo, a iFixit atribuiu ao dispositivo uma classificação provisória de 5 em 10 pontos em reparabilidade, a mais elevada que concedeu até agora a um telemóvel dobrável.
A avaliação resulta sobretudo da facilidade de remoção das baterias, da acessibilidade de vários componentes e da possibilidade de desmontar o ecrã exterior sem o danificar. A reparação da dobradiça e do painel interior continua, contudo, a ser complexa.
A iFixit refere ainda que a substituição do ecrã interior fora da cobertura de garantia custa 999 dólares nos Estados Unidos. Trata-se de um preço de reparação indicado para o mercado norte-americano, que não deve ser confundido com os valores praticados em Portugal.
Substituição dos equipamentos e dúvidas sobre a durabilidade
A Apple comprometeu-se a substituir os iPhone Duo afetados, mas ainda não apresentou uma explicação técnica para as falhas. Também não anunciou qualquer campanha geral de recolha ou revisão do equipamento.
A questão ganha relevância devido à própria construção dos telemóveis dobráveis. Ao contrário dos modelos convencionais, estes dispositivos utilizam painéis flexíveis sujeitos a esforços mecânicos repetidos. A dobradiça tem de controlar a curvatura do ecrã e evitar concentrações de pressão que possam comprometer as suas camadas internas.
A ocorrência recorda os problemas enfrentados pela Samsung com o primeiro Galaxy Fold, em 2019, quando falhas nos ecrãs levaram ao adiamento da comercialização. Ainda assim, os dois episódios não são diretamente equivalentes. No caso do iPhone Duo, não existem dados suficientes para determinar a extensão do problema ou concluir que será necessária uma alteração de conceção.
Para os consumidores portugueses, a indicação da Apple é contactar o serviço de assistência oficial caso surjam fissuras, linhas luminosas ou outras anomalias no ecrã interior. A fabricante anunciou a substituição dos equipamentos afetados, mas não divulgou eventuais procedimentos específicos para Portugal.
A Apple também não esclareceu se está a preparar alterações à dobradiça ou ao processo de produção, nem confirmou as hipóteses mecânicas apresentadas pela iFixit.




